Os Quadrinhos Independentes de Vitor Batista

Entrevistamos Vitor para conhecer o universo de 7 dayz. Os quadrinhos narram histórias urbanas, engraçadas, tristes, violentas, sem rótulos ou rodeios. A Revista foi publicada recentemente com apoio da Secretaria de Cultura do Ceará, Reunindo algumas edições do fanzine homônimo que já vem sendo produzido há 4 anos. Confira Algumas imagens disponibilizada pelo autor:
A Entrevista: Qual sua relação com Quadrinhos? Você tem algum tipo de formação na área? Quais suas referências em Quadrinhos? Comecei a ler quadrinhos ainda na infância e a fazê-los também, por volta dos seis anos. Aos nove, acompanhado dos meus pais, fiz minha primeira visita à Oficina de Quadrinhos da UFC, ainda em 1990. Lá conheci alguns desenhistas e roteiristas e recebi um exemplar da revista PIUM, que era publicada pela Imprensa Universitária naquela época. Mais tarde, na adolescência, passei a frequentar o espaço da Oficina de Quadrinhos que ainda funcionava numa sala empoeirada lá nos fundos do curso de Comunicação Social aos sábados pela manhã. A partir daí conheci praticamente toda essa geração de quadrinhistas que atua hoje profissionalmente na cidade de Fortaleza, tendo trabalhado com alguns deles em revistas independentes, oficinas, trabalhos publicitários e outras coisas mirabolantes. Essa foi, digamos, uma primeira fase de minha formação. Acredito que estou sempre em formação enquanto autodidata. Depois disso ingressei no curso de arquitetura e urbanismo e passei a criar a série 7Dayz que se tornou um livro. Tenho muitas referências nos quadrinhos, mas não busco seguir ninguém como um modelo. Liniers, Robert Crumb, Daniel Clowes, Art Spielgman e Chris Ware são alguns dos grandes artistas dos quadrinhos da atualidade na minha opinião. E sobre o apoio do Revela Ceará? Em que ambiente se passa a 7dayz, quais seus temas? Como está foi teu processo de produção, materiais, técnicas, tempo? Como esta sendo a distribuição/venda/circulação? O projeto apoiado pelo edital Revela Jovem da Secult foi a série 7Dayz, que passei a escrever e desenhar durante a faculdade. A maioria dos desenhos eram feitos na hora das aulas sobre as pranchetas confortáveis do curso de arquitetura. Lancei nove edições de forma independente durante o período de quatro anos. O livro é uma coletânea desse trabalho que reúne parte das últimas quatro edições do fanzine. Por isso praticamente o livro já estava pronto quando foi contemplado no edital. Só precisamos scannear novamente as páginas, fazer algumas correções e mandá-lo à gráfica. Agora estou aprendendo muito com a distribuição. Estou fazendo uma rede para o livro, que poderá ser seguida por outras publicações posteriores e ampliada. Mas na realidade é bastante difícil vender livros num país de escassos leitores. As pessoas falam por aí que em Buenos Aires tem mais livraria do que em todo o território brasileiro. Não sei se é verdade, mas se chegar perto, isso já é bem grave! Como foi e como está sendo a relação com a equipe da Secult – CE que está acompanhando o projeto? Bom, isso é complicado. Nos prometeram oficinas, acompanhamento nos projetos, disponibilidade, mas nada disso aconteceu. Tive que fazer pressão para o recurso ser liberado, pois já estava fora do prazo a cinco meses. Temos pouca comunicação com o orgão estadual da cultura e ainda por cima o acesso é muito difícil para quem não tem um automóvel poluente. A transferência da Secult para o Cambeba só piorou esse contato. Todos sabem das intenções do governo com aquela localização do Cambeba para o Ceará. É como Brasília! Como você vê espaço para um quadrinista no mercado atual? Se existem editoras publicando novos autores, o interesse cultural, a auto-publicação de baixo custo, os blogs, então existe espaço. Mas a remuneração exclusiva dos quadrinhos é privilégio de poucos e não é nada imediata. E também, neste sentido, o quadrinho é uma linguagem artística como o cinema, o teatro e a música. Onde em cada uma delas existem diferentes produções, diversos mercados, diferentes circuitos. O caminho de cada um é traçado por uma salada que vai se fazendo entre as oportunidades que surgem nesses meios. O importante é ter coragem e criatividade para arriscar sempre, eu acho. E como você vem utilizando o blog para tornar público teu material? Que tipo de retorno você tem do público? A internet tem se revelado um canal maravilhoso para conectar artistas de todo o mundo. É surpreendente a quantidade de trabalhos bons que a gente topa por aí quase todo dia. Então pra mim a web funciona como um meio de inspiração além da divulgação do meu trabalho. O blog é como um fanzine que não precisa ser xerocado! Por isso tenho total liberdade para arriscar e assim vou encontrando um público que vai se acumulando ao longo dos anos. Muita gente em todo o mundo visita meu blog, por isso o mantenho atualizado quase que diariamente. E ainda surgem novas ferramentas interessantes como o twitter que pode revolucionar a comunicação mais uma vez. --- Confira o blog http://quadrinhos7dayz.blogspot.com/ |
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